30 de setembro de 2026 · 5 min
30 de setembro de 2026 · 5 min

Faço fotografia e vídeo corporativo em Portugal há dezoito anos. A Syncview foi fundada a 30 de setembro de 2008 e é hoje que faz a data, por isso aproveito para escrever aquilo que raramente escrevo: não sobre um trabalho em concreto, mas sobre o que dezoito anos de trabalho me ensinaram.
Não vou contar a história do início. Interessa mais o que não mudou: fotografo e filmo o trabalho real das empresas, no sítio onde ele acontece, sem cenários montados. Uma fábrica em produção, uma doca seca em Setúbal com o casco a descoberto, uma sala com quatrocentas pessoas sentadas a ouvir. É esse o material.
O equipamento mudou quase todo. Mudou o tamanho dos ficheiros, mudou a sensibilidade das máquinas em pouca luz, apareceu o drone e com ele um ponto de vista que antes exigia um helicóptero. Mudou sobretudo o prazo: hoje uma parte das fotografias de um evento sai enquanto o evento ainda está a acontecer, editada e enviada para a equipa de comunicação publicar no mesmo dia, e o resto chega no dia seguinte. Nada disto mudou o essencial, que é estar no sítio certo com atenção suficiente para ver o que vale a pena registar.
O trabalho continua a organizar-se em quatro frentes. Eventos corporativos, de conferências e convenções a cerimónias institucionais, em Lisboa e fora de Portugal. Fotografia industrial e naval, que no meu caso passa muito pelo estaleiro de Setúbal, no rio Sado, e pelas fábricas que aceitam abrir a porta a uma máquina. Retratos corporativos, que é a área onde a mudança é mais visível para a pessoa fotografada. E fotografia aérea com drone, que é hoje uma linguagem própria e não um acessório.
Se tiver de reduzir dezoito anos a três aprendizagens, são estas. A primeira: estar presente vale mais do que ter o melhor equipamento, porque o momento não espera pela objetiva certa. A segunda: a melhor fotografia de uma empresa é quase sempre a que mostra quem lá trabalha, e não o espaço ou a máquina sozinhos. A terceira, a mais prosaica e a que mais clientes me manteve: entregar a tempo faz parte do trabalho, não é um extra que se negocia depois.
Para marcar a data pus finalmente de pé uma coisa que andava atrasada há anos, o novo syncview.pt. Feito do zero, bilingue em português e inglês, com o portefólio organizado por área, casos de estudo que contam a história completa de cada projeto em vez de mostrarem só a fotografia bonita, e este Journal, onde escrevo sobre como os trabalhos são feitos por dentro. Foi a primeira vez em muitos anos que parei para olhar o arquivo todo de seguida, e a escolha do que entrava foi mais difícil do que esperava.
Em dezoito anos entrei em fábricas, docas secas, palcos e salas de reunião porque alguém me chamou lá. Obrigado a quem chamou. E sobretudo a quem, depois de ver o resultado, voltou a chamar. Dezoito anos fazem-se assim, um trabalho de cada vez.
Vamos aos próximos. Se tem um trabalho para fazer, fale comigo.
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