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17 de junho de 2026 · 5 min

Solar Naama na Lisnave: filmar uma doca seca de dia e de noite

Fazer vídeo de reparação naval num estaleiro como a Lisnave, em Setúbal, é antes de tudo um exercício de tempo. Um navio entra em doca seca com um aspeto e sai com outro — mesmo casco, navio diferente — e essa transformação não acontece em horário de escritório. Acontece de dia e de noite, ao longo de semanas. No vídeo que fiz para a Lisnave sobre o navio Solar Naama, a única forma de contar a história a sério foi filmar a operação 24 horas por dia, sempre que cada fase o exigia.

A reparação naval não pára quando o sol se põe. As equipas trabalham por turnos, há fases que só avançam de noite e há luz — a dos projetores do estaleiro, a do navio iluminado contra o rio Sado — que só existe àquela hora e que dá ao vídeo uma carga que a luz do dia nunca teria. Estar disponível para filmar a qualquer hora, e saber ler quando cada momento vale a pena, é o que separa um registo industrial de um filme que o cliente tem orgulho em publicar.

Para comprimir semanas de trabalho em segundos, usei timelapses. É a ferramenta certa para mostrar aquilo que o olho humano não consegue acompanhar: a doca a esvaziar, os andaimes a subirem à volta do casco, o navio a ganhar pintura nova, o movimento contínuo do estaleiro à volta dele. Um timelapse bem planeado — câmara fixa, exposição controlada, horas de captação para poucos segundos de imagem final — transforma a lentidão da reparação naval numa sequência com ritmo e impacto.

A parte aérea foi feita com dois drones diferentes, e essa é uma escolha deliberada, não um detalhe técnico. Cada equipamento tem capacidades criativas distintas: um permite os planos largos, estáveis e cinematográficos que mostram a escala do estaleiro e do navio em doca; o outro entra onde o primeiro não chega, com movimento mais ágil e próximo, a passar junto à proa, entre as estruturas, a acompanhar a ação ao nível do casco. Ter mais do que uma ferramenta no ar significa que o vídeo final fica mais rico e mais adequado àquilo que o cliente quer mostrar — não fico limitado a um único tipo de plano.

No fim, todo este esforço — o 24/7, os timelapses, os dois drones — serve uma coisa só: contar a transformação. A narrativa do Solar Naama é a entrada do navio, o trabalho que acontece sobre ele em doca seca, e a saída de um navio renovado. Cada técnica entra ao serviço dessa história, não ao contrário. É essa a diferença entre acumular imagens bonitas e entregar um filme com princípio, meio e fim.

Se gere um estaleiro, um armador ou uma operação industrial e precisa de vídeo de reparação naval que capte a verdadeira escala e ritmo do trabalho — com disponibilidade para filmar de dia e de noite, timelapses e cobertura aérea com diferentes drones — fale comigo. Faço fotografia e vídeo industrial na Lisnave e em Setúbal há vários anos.